MP da Espanha vai recorrer da decisão que absolveu Daniel Alves por caso de estupro
Recurso apresentado pela defesa do jogador foi aceito por unanimidade pelo Tribunal de Justiça da Catalunha, que viu ‘insuficiência de provas’ e classificou o testemunho da denunciante como ‘não confiável’
Por Jovem Pan 02/04/2025 14h12 - Atualizado em 02/04/2025 15h15
EFE/ Alberto Estévez

Antes de ser absolvido, o jogador ainda teria de cumprir mais dois anos de sua sentença
O Ministério Público da Espanha anunciou nesta quarta-feira (2) que irá recorrer ao Supremo Tribunal do País contra a decisão que absolveu Daniel Alves da acusação de agressão sexual contra uma jovem de 23 anos em uma casa noturna de Barcelona. Na última sexta-feira (28), o recurso apresentado pela defesa do jogador foi aceito por unanimidade pelo Tribunal de Justiça da Catalunha, que viu “insuficiência de provas” e classificou o testemunho da denunciante como “não confiável”. Ele havia sido condenado a quatro anos e seis meses de prisão, e nega as acusações.
Daniel Alves foi preso preventivamente em janeiro de 2023, e condenado pelo Tribunal Provincial de Barcelona em 22 de fevereiro de 2024. O brasileiro estava em liberdade condicional há cerca de um ano, após pagar uma multa de 1 milhão de euros (R$ 5,4 milhões à época). Ele ainda teria de cumprir mais dois anos de sua sentença.
O júri que absolveu Daniel Alves foi composto por três mulheres e um homem. Na análise do juiz Manuel Álvarez, junto a seus magistrados, a condenação do atleta continha uma série de “lacunas, imprecisões, inconsistências e contradições sobre os fatos”. “O que foi explicado pela denunciante difere sensivelmente do que aconteceu, de acordo com o exame do episódio registrado. A divergência entre o que a queixosa relatou e o que realmente aconteceu compromete seriamente a fiabilidade da sua história”, afirmou Tribunal da Catalunha na decisão
Ester García, representante da jovem que acusa o brasileiro, lamentou a decisão e declarou que pretende entrar com uma apelação contra a sentença, mas tenta evitar o prolongamento do “inferno” que sua cliente teria passado.
A decisão gerou polêmica na Espanha. Na segunda-feira (31), cerca de 200 pessoas se reuniram em frente ao Palau de la Generalitat, sede do governo catalão, para demonstrar repúdio à anulação da sentença e exigir a revogação da decisão judicial. A mobilização foi organizada por grupos feministas e ativistas dos direitos das mulheres, que consideram a anulação da condenação um retrocesso na luta contra a violência de gênero.
A absolvição do brasileiro foi criticada por ministros do presidente Pedro Sánchez. A vice María Jesús Montero declarou ser “uma vergonha que o depoimento de uma vítima ainda esteja sendo questionado e que a presunção de inocência tenha precedência sobre o depoimento de mulheres jovens e corajosas”. Após críticas da oposição, ela se desculpou pela declaração nesta terça, mas classificou a decisão como “retrocesso”.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Nátaly Tenório